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quarta-feira, 27 de março de 2013

Livro da Semana - Vieira Só desisto se for eleito



Vieira – Só desisto se for eleito
Manuel João Vieira

Sobre o autor:

Manuel João Vieira nasce em 1960 e 1962. Reencarnação provável do Dr. Oliveira Salazar e de outros (Ramsés II, etc). Frequenta o Liceu Miguel Bombarda. Doutoramento em Ciências Políticas pela Universidade de Badmington. Pós-Graduação em Cretinologia Marítima pela Universidade do Pico, com uma Bolsa da E+po 98. Artista polfórmico: carros esmagados, culinária, vídeo e arte religiosa em paus de fósforos. Muitas vezes inspirado, virtuoso veloz em vários instrumentos, com destaque para o reco-reco, e compositor e vocalista do agrupamento Ena Pá 2000. Poeta consagrado com a edição do volume Lista Telefónica 1969 – Região de Lisboa, Edições Asa de Icarus. Nunca sai de dia. Vive na Roménia.
Parte I – Os verdes anos:
Desde muito cedo, Manuel João Ochoa de Ataíde Salinas Granés Gonçalves Pires y Rodrigues Vieira manifestou uma tendência natural para a liderança.
No berço infantil das mimosas manhã ditava às outras crianças contos de fadas e cariz moralista e patriótico.
Mais tarde, no liceu, organizou um sistema de rifas de grande sucesso, com a ajuda das suas primas (o nome delas não é para aqui chamado), mostrando espírito de iniciativa no parir de uma sociedade de mercado, quando se vivia num período marcadamente bolchevista da nossa História (o governo CDS).
Parte II – Os anos vermelhos:
Consequências próprias da juventude, os radicalismos da moda não foram inférteis na obra política do candidato, tendo elaborado o Livro Vermelho de M. Zé Vieira, numa atmosfera efervescente da vida política nacional (PREC) e participando, parado+almente nas invasões populares de destruição das sedes do seu próprio partido.

Sinopse:

Não podemos olhar o mundo da comédia e da política nacional sem nomear Manuel João Vieira. Ele incorpora as duas temáticas. Não é porém despiciendo observar com atenção o horizonte onde coloca Manuel João Vieira Portugal e os portugueses. Ele afirmou: Portugal é o futuro. E não estamos a falar de grunhidos, bazófias, mas de pensamento crítico e valido. Este livro, não é assim, o que se espera dele à partida: um livro de piadas, insignificante, que nos pede o dízimo da autocomplacência.

Assim, começando por Thoreau – “ o melhor dos governos é governo nenhum”.
A política, segundo o autor, é atrever-se, é dar o passo certo ou errado em direcção à comunidade. É dar-lhe a entender que tem um projecto consensual de a manipular. Porém o que é o político senão um boneco do Homem. E a comunicação social ministra e administra as movimentações da sociedade como um dramaturgo, porém os interesses são meramente económicos e capitalistas. Vivemos numa sociedade de quase totalitarismo mediático. É por isso que a política está morta. Duvido que alguém goste da morte. O mediatismo matou a política, e a democracia.

O político é essencial para alimentar a rotativas dos jornais, uma luta sangrenta entre vários órgãos de informação. A sociedade do escândalo é permanentemente incentivada. Hipocritamente, é cada vez mais o que se mostra do que o que se esconde, é cada vez mais o que se fala e menos o que se esconde clandestinamente. Assim urge às organizações sociais activas na política terem uma vida interna em vácuo. Será possível!? Não estaremos perante uma simbiose imprensa – política indestrutível?
O candidato Vieira não se coloca à esquerda, direita, por frente ou por trás, o candidato Vieira, decide rebentar a bolha, de mais uma especulação.

Manuel João Viera, no livro que vos apresentamos, relata sem enfado uma anti cruzada através de uma candidatura presidencial, sob vários lemas, entre eles o mais conhecido “Só desisto se for eleito”. Conquistou assim o mais alto lugar do melhor entertainer português – o presidente da república – e ao mesmo tempo o menos conveniente.

A título de exemplo, através da fértil criação de personagens fictícias, Manuel João Vieira e os seus Ena Pá 2000, foram censurados pela Rádio Renascença por se dizerem inspirados pelas palestras do Padre Dâmaso. Quem é o Padre Dâmaso. Ninguém, provavelmente, ou apenas uma “personagem tipo”, que a Rádio Renascença acriticamente decide defender. Não houve qualquer escândalo, mas a introdução de elementos ficcionais, que hiperbolizam a hipocrisia mediática e política. Quanto às propostas do escritor, são tão válidas quanto as dos outros políticos, contudo, não é um profissional e apenas toca com mais lirismo no âmago dos assuntos. Anima um país que gosta de se desresponsabilizar de si próprio sempre que tem uma oportunidade. E assim perdemos oportunidades históricas umas atrás das outras.

Já vai longo o artigo, para terminar, Manuel João Vieira, exorta-nos para que cumpramos um desígnio filosófico, que mudemos radicalmente de vida, que passemos a assumir sem tibieza a sacanice de que Jorge de Sena já falava. Façamo-nos à estrada criaturas menos recomendáveis. Somos um país de masturbadores armados em marialvas – diz o autor; reciclados no consumível liberalismo - bem presente na fictícia crise do Estado Social, e da existência de um povo acima das suas possibilidades. A verdadeira doença ou crise é evacuada pela “porta do cavalo”, falamos da crise de fundo, a financeira, e cria-se uma narrativa de crise, para criar novas oportunidades de negócio, com o lombo e dinheiro do povo. A crise em si, é trocada por manchetes e capitulares. Porém é trabalhada sem limites até se tornar numa crise real, descontrolada e de consequências imprevisíveis.

Homem de talento e honestidade, Manuel João Vieira, com a sua coragem é um vencedor, enquanto, que todos os outros, não lhe faltando talento são menos excêntricos, não têm a originalidade de nos deixar perplexos, surpreendidos connosco próprios, e ao mesmo tempo reconciliados, e prontos para viver a vida e não sobreviver.

Espero que comprem o livro, ou que o procurem, pois vale a pena. 

Título: Vieira - Só desisto se for eleito (2004)
Texto: Manuel João Vieira
Tamanho: 16x23 
ISBN: 
Páginas: 272 páginas
Editora: althum.com
Preço: 7.0 euros
Recomendado para maiores de 12 anos (grau de dificuldade)

terça-feira, 19 de março de 2013

Livro da Semana - O Paciente Inglês

Livro da Semana - O Paciente Inglês ou segundo o livro disponível na Vilateca, O Doente Inglês.



Sobre o Autor:
Philip Michael Ondaatje (Colombo, Sri Lanka, 12 de setembro de 1943) é um escritor canadense (naturalizado em 1962) de uma família de origens neerlandesas, tamil, cingalesas e portuguesas, que em 1954 passou a residir em Inglaterra. É autor de O Paciente Inglês, que deu origem ao filme The English Patient. Também é autor dos livros "Bandeiras Pálidas" e "Buddy Bolden Blues".

Emigrou para Montréal aos 19 anos, frequentou a Universidade de Toronto e a Universidade de Queen. O seu fascínio pelo oeste norte-americano influenciou um dos seus mais conhecidos trabalhos, As obras completas de Billy the Kid (1970). Depois do reconhecimento internacional de O Paciente Inglês esta obra foi seguida por Anil's Ghost (2000). Para além da prosa, Ondaatje cultiva a poesia,  e prosa musical, na qual elabora uma mistura de mitos, história, jazz, memórias e outras influências.

Sinopse:
Ler, neste livro é desbravar diferentes mundos. Estejam preparados para alguns solavancos literários.
"Não será correcto apontar um local, uma data ou um narrador para esta história, já que estes permutam subtilmente entre si. Contudo, o presente da narrativa, que une personagens e histórias, passa-se no final da Segunda Guerra Mundial, num mosteiro em ruínas na Toscana, Itália. Aí, uma jovem enfermeira, Hana, cuida de um enigmático homem, queimado e sem nome, contador de inúmeras façanhas e episódios. A eles juntam-se um homem de mãos ligadas, Caravaggio, e um sapador sikh, Kip. Quatro vidas unidas por uma guerra que não lhes pertence, que os encurralou e que os fez abandonar a guerra que cada um trava no seu íntimo, contra o passado ou contra o futuro, sempre contra si mesmos.

A convivência leva estas quatro personagens a partilharem memórias e segredos, reconstruindo as suas identidades há muito perdidas e, em última análise, a julgarem-se, gerando amor, ciúme e ódio. Desse modo, conseguem reflectir sobre quem são e o que fazem, quais as suas motivações e os seus medos. Em suma, encontram-se.
Trata-se de uma história ora trágica, ora comovente. O contraste entre o passado e o presente das personagens, associado à indefinição que é o futuro, fomenta a reflexão sobre a própria vida. Esse contraste é possível graças aos diversos fragmentos que compõem esta obra e às histórias secundárias que a complementam. Talvez por isso, esta não seja uma leitura simples. Não existe coesão externa e é muito fácil perdermo-nos no emaranhado de acontecimentos e episódios.

O narrador é uma figura inconstante, sendo quer mero observador, quer personagem principal, narrando na terceira ou na primeira pessoa. Por mais do que uma vez, ele pergunta-se (ou pergunta-nos) quem falava nos últimos parágrafos, de quem era a memória ou a confissão da página anterior." 

Título: O Doente Inglês
Texto: Michael Ondaatje
Tamanho:
ISBN:
Páginas:
Editora: Mil Folhas – Público
Preço: 4.50 euros
Recomendado para maiores de 15 anos (grau de dificuldade)






domingo, 24 de fevereiro de 2013

Livro da Semana - Trocar as voltas aos tempo (2008)



Sobre o autor:

João Pedro Mésseder nasceu em 1957, no Porto. Sob a identidade de José António Gomes, é Professor Coordenador da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, tendo-se doutorado em Literatura Portuguesa do século XX pela Universidade Nova de Lisboa e publicado diversos estudos nos âmbitos da História e da Crítica Literárias (Literatura Portuguesa Contemporânea e Literatura para a Infância e a Juventude), além de várias antologias. Nesta qualidade, fundou e dirige a revista Malasartes – Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude

É autor de livros de poesia e de cerca de três dezenas de obras para crianças e jovens, repartidas pela escrita em verso, pelo álbum e pela narrativa – alguns dos títulos traduzidos para galego e espanhol. Está representado em antologias em Portugal, no Brasil e na Alemanha, e tem colaboração dispersa em diversas publicações.

A sua obra conta com várias dezenas de títulos editados e que foram motivo de estudos e de recensões críticas

Sinopse:

Trocar as voltas ao tempo é um álbum de pequeno formato e original grafismo, distinguido com uma menção especial no “Prémio Internacional de Compostela 2008” é constituído por um diálogo versificado onde a questão do tempo é central. Deste modo, e apesar de a criança conhecer os elementos que organizam e ordenam o tempo e o seu desenrolar (anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos), não desiste de ir pedindo mais tempo ao tempo, de modo a ter mais oportunidades para brincar, se divertir e, no fundo, fazer o que mais gosta. Espécie de manifesto poético contra o tempo que foge apressado e velozmente, este álbum propõe, em alternativa, uma fruição mais tranquila e saboreada da vida, capaz de escapar das rotinas e das pressas. Assumidamente infantil, pela forma como os conceitos são desenvolvidos, esta perspectiva é complementada por ilustrações que, tomando o tempo e o seu desenrolar como mote, não se submetem ao texto e possibilitam leituras diferenciadas.

Ana Margarida Ramos; in Casa da Leitura.

Título: Trocar as voltas ao tempo (2008)
Texto: José Pedro Mésseder
Tamanho: 16x16 cm
ISBN: 978-989-95545-3-5
Páginas: 30 páginas
Editora: Eterogémeas
Preço: 7.55 euros
Recomendado para maiores de 7 anos (grau de dificuldade)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Livro da Semana - Xerazade e os Outros


Livro da semana



Sobre a autora:

Maria Fernanda Botelho (1926) nasceu no Porto. Foi, nos anos 50, uma das fundadoras da revista Távola Redonda. Tornando-se conhecida como poetisa primeiro e como romancista depois. Ganhou vários prémios, entre os quais o Prémio Camilo Castelo Branco, o Prémio da Crítica e o Prémio Eça de Queirós.

Sinopse:

“Desde a Revolução de 1974, um grupo substantivo de literatura feminista começou a aparecer na ficção em Portugal, incluído autores recentes como Teolinda Gersão, Hélia Correia, Maria Regina Louro, e Olga Gonçalves. A maior parte desta escrita foi influenciada pela publicação controversa das Novas Cartas Portuguesas em 1972; no entanto, seria um erro pensar que a consciência feminista estivesse adormecida completamente, durante a ditadura repressiva se Salazar e Caetano, emergindo apenas com “As Três Marias”, e a subsequente revolução.
Considerando o caso de Fernanda Botelho, uma poeta e romancista consideravelmente negligenciada mas impressionante, Xerazade e os Outros é uma mistura intrigante de experimentalismo modernista com temas proto-feministas. (…)
Num primeiro olhar, o romance de facto, parece mais preocupado com assuntos típicos da literatura modernista do que com qualquer rebelião social. Xerazade e os Outros, é um texto fragmentado, auto-reflexivo recheado com paralelos entre o mito classicista e a vida contemporânea narrada através de vários pontos de vista, aparentemente preocupada com a forma estética do que com a opressão da mulher. “

Fontes:

Título: Xerazade e os Outros (1974)
Texto: Fernanda Botelho
Tamanho: Livro de Bolso
ISBN: s/d
Páginas: 205
Editora: Livraria Bertrand
Preço: 3.80 Euros
Recomendado para maiores de 15 anos (grau de dificuldade)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Livro da Semana - Livro de Areia

Livro da Semana - Livro de Areia

Sobre o Autor: 

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Genebra, 14 de junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.
Em 1914 sua família mudou-se para a Suíça, onde estudou e de onde viajou mais tarde para Espanha. Ao retornar à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. 
Em 1955 foi nomeado director da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. 
Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prémio internacional de editores, o Prémio Formentor.
O Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas.
A obra abrange o "caos que governa o mundo e o carácter de irrealidade em toda a literatura". 
Os seus livros mais famosos são: Ficções (1944) e Aleph (1949), são colectâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o género da literatura fantástica.  
A sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "boom latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. Uma curiosidade. Para homenagear Borges, em O Nome da Rosa  um romance de Umberto Eco, há o personagem Jorge de Burgos, que além da semelhança no nome é cego assim como Borges. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges A Biblioteca de Babel (Uma biblioteca universal e infinita que abrange todos os livros do mundo).
Borges é um pórtico de entrada para toda a boa literatura hispano-americana actual. O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse que "Ele, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos".

Sinopse:
Livro de Areia, é o último livro de contos de Jorge Luís Borges publicado pela primeira vez em 1975. Dos contos de Livro de Areia, seis deles são uma junção em cadeia, sendo o O Livro de Areia, o último; aquando da sua publicação, Borges estava praticamente cego. A narrativa fantástica de Borges no entanto é diferente de qualquer outra, pois o fantástico de Borges é quase sempre algo inexplicável, inenarrável, que pressupõem o infinito e o impossível. Por isso devem compreender e ler Borges a partir das premissas e evidências que vos lança, algo confusas, ou demasiado brilhantes. Estamos perante um escritor que gosta de primar pela irreverência e por factos estranhos na sua construção literária.


Título: O Livro de Areia (1952))
Texto: Jorge Luís Borges
Tamanho: Livro de Bolso
ISBN: 972 33 0232 2
Páginas: 143
Editora: Estampa
Preço: 7 Euros
Recomendado para maiores de 15 anos (grau de dificuldade)




domingo, 3 de fevereiro de 2013

Livro da Semana - O Piloto do Navio Fantasma

Livro da Semana - O Piloto do Navio Fantasma

Sobre o Autor:


Adolfo Simões Müller (Lisboa, 18 de Agosto de 1909 - 17 de Abril de 1989) foi um escritor e jornalista português.
Frequentou a Faculdade de Medicina mas abandonou o curso. Foi secretário de redacção do jornal Novidades, fundador e director até 1941 do jornal infantil O Papagaio e director do Diabrete. Foi ainda director do gabinete de estudos de programas da Emissora Nacional e produtor de programas para a rádio. Inclusivamente foi o autor do primeiro folhetim de rádio As Pupilas do Senhor Reitor.
Para o público juvenil escreveu, entre outros, os livros constantes da colecção Gente Grande para Gente Pequena, do qual destacamos Wagner (O Piloto do Navio Fantasma). Entre outras obras, adaptou para a juventude Os Lusíadas (1980), A Peregrinação (1980), A Morgadinha dos Canaviais (1982) e As Pupilas do Senhor Reitor (1984).
Em 1982, recebeu o Grande Prémio da Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua obra.

Sinopse:

Obra destinada ao público jovem, romanceia a vida do compositor alemão Richard Wagner (1813-18883).


"À proa do barco, uma figura esculpida sonda ansiosamente o horizonte. Os seus olhos sem órbitas parece quererem desvendar os mistérios dos mares desconhecidos e das terras impenetráveis, donde vem, com o aroma das florestas virgens, um coral de vozes perturbadoras. Essa figura da proa não é mais, porém, do que a imagem do piloto do veleiro que, a dois passos, de rosto pálido e olhar sombrio, esquadrinha igualmente, com a mesma febre e a mesma inquietação, o mar revolto e a costa distante. Ele vai só, no navio fantasma, só com a sua dor, o seu sonho e a sua esperança. A dor de ver inacessível a praia ambicionada, de areias loiras e macias; o sonho de a atingir, finalmente, para além dos recifes de espanto; a esperança de nela encontrar a Glória que lhe foge a cada passo, como a sombra do próprio corpo; são os únicos marinheiros daquele barco, de que se afastam todos os outros mareantes, quando avistam ao longe as suas velas negras e esfarrapadas... "

Título: O Piloto do Navio Fantasma (1952))
Texto: Adolfo Simões Muller
Tamanho: 16.5x12.5
Edição Número: omisso
Páginas: 212 páginas
Editora: Livraria Tavares Martins - Porto
Preço: 15 euros
Recomendado para maiores de 12 anos (grau de dificuldade)







sábado, 26 de janeiro de 2013

Livro da Semana - Jóias Indiscretas


As Jóias Indiscretas – Diderot (5 euros)


Sobre o Autor:
Nascido em Langres (França) em 1713, Denis Dedirot é um dos nomes que mais profundamente marcaram o século em que viveu. Voltaire chamou-lhe “pantófilo” (amigo de todas as coisas), sublinhado assim a sua versatilidade. Imortalizou-o a colaboração com na Enciclopédia. Diderot deixou uma obra considerável. Foi um inconformista, que assumiu quase sempre posições contrastantes com a ideologia dominante no seu tempo. O livro da semana, é um desses casos, um romance licencioso, lido ainda hoje, referência para outros escritores e que coloca romance do mesmo género actual uns pontos mais abaixo.

Sinopse:
Diderot, conhecido, como vimos pela enciclopédia, teve um problema quando era jovem: a amante exigira 50 luíses de ouro para não abandoná-lo. A solução que ele encontrou foi escrever, às pressas, um romance libertino, como era moda na França de seus dias, na segunda metade do século XVIII. Em quinze dias ele concluiu o trabalho, escreveu um romance de acordo com o gosto dos leitores. Levou-o a um editor, que lhe deu as moedas: 50 luíses. “Então as atirei na saia da minha amada”, lembraria Diderot.
A inspiração para esta obra veio de O Sofá, de Crebillon. Em vez de um sofá que observa as farras sexuais das pessoas, são jóias. Mais uma vez, a história é passada num lugar que excitava os franceses pela sofisticação erótica apurada ao longo de séculos: a Arábia das Mil e uma Noites. As Jóias Indiscretas, fora seu valor erótico, é uma lembrança pungente do que não é capaz de fazer um homem quando uma amante fogosa ameaça abandoná-lo.

Valerá a pena a sua leitura!? Descubram.
Se não confiar no seu livreiro, muitos bons romances lhe vão escapar.


Título: Jóias Indiscretas (1976))
Texto: Denis Diderot
Tamanho: 18x11
Edição Número: 40 635 / 2189
Páginas: 284 páginas
Editora: Europa-América (livro de bolso)
Preço: 5 euros
Recomendado para maiores de 15 anos (grau de dificuldade)


sábado, 19 de janeiro de 2013

Livro da Semana - Gatos e mais gatos

Livro da Semana - Gatos e mais gatos



Sobre a Autora:

Doris Lessing nasceu em 1919 no Irão, filha de pais ingleses, e viveu vários anos no actual Zimbabué antes de se mudar para Inglaterra em 1949. O seu primeiro romance foi publicado em 1950 e alcançou grande sucesso na Europa e nos EUA. Desde então já publicou mais de 50 livros, entre romances, contos, poesia, teatro e não ficção, tendo-se tornado uma das escritoras contemporâneas mais aclamadas. Ao longo da sua carreira foi distinguida com diversos prémios, incluindo o prémio Príncipe das Astúrias e o David Cohen British Literature Prize em 2001. Em 2007 a Academia Sueca atribuiu-lhe o Prémio Nobel da Literatura.

Sinopse:
“Doris Lessing descreve com grande mestria as relações de domínio, dependência e subserviência que se estabelecem entre Gata Cinzenta e Gata Preta, a primeira sempre tratada com maior desvelo e complacência advenientes da culpa (de novo esse sentimento tenebroso assola a Autora, de jeito autobiográfico?) em ter-lhe sido usurpada a maternidade. Nos comportamentos das gatas, nas pequenas diatribes e nas mais clamorosas injustiças, revemos as relações humanas, a certeza de que a maior parte da interacção entre os homens se baseia em equilíbrios de poder. É essa a verdade nua e crua que a Autora nos oferece, assim como a sua preferência pelos animais. De facto, poucas vezes Doris se refere às pessoas, o que nos faz pensar que, apesar da crueldade de algumas atitudes das gatas, tal é preferível a enfrentar, reflectido nos outros, o género de que somos constituídos (medo, fuga de Lessing?).
A cerca de metade da narrativa, nota-se alguma perda de força, como se os gatos tivessem decidido esparramar-se num telhado aberto a um dia solarengo, exigindo do leitor um sacrifício acrescido que, no final, acaba por compensar.#


Título: Gatos e mais gatos (1999)
Texto: Doris Lessing
Tamanho: 20,5x13
ISBN: 972 8423 44 6 (tiragem de 1500 exemplares)
Páginas: 165 páginas
Editora: Cotovia
Preço: 5 euros
Recomendado para maiores de 12 anos (grau de dificuldade)

domingo, 13 de janeiro de 2013

Livro da Semana - Um acontecimento na Ponte de Owl Creek


Livro da Semana - Um acontecimento na Ponte de Owl Creek

Sobre o Autor:
Ambrose Bierce (Condado de Meigs, Ohio, 24 de junho de 1842 — após 26 de dezembro de 1913/ 11 de Janeiro de 1914), foi um crítico satírico, escritor e jornalista norte-americano, particularmente conhecido pela sua obra O Dicionário do Diabo.
Alistou-se aos dezanove anos, no exército americano durante a guerra civil. A guerra deu-lhe material suficiente para encher os seus contos. Definia que "sozinho" era estar em "má companhia". Bierce fez do cinismo, misturado ao humor negro, sua marca registrada. Família, nação, raça humana: nada escapava de suas estocadas, até hoje repetidas nos Estados Unidos.
Tornou-se jornalista e editor. Assinou durante anos uma coluna que lhe deu fama e projecção. Cultivou o aforismo, a fábula, a ghost-story e o epigrama. Toma maior contacto com a obra de Mark Twain, Swift, Voltaire, Pope, que lhe abre os caminhos da ironia e da sátira. Bierce enriquece a tradição gótica com o aprofundamento psicológico do horror e do estranho. Até aos dias de hoje tem uma enorme comunidade de leitores.
Aos 71 anos, Bierce viajou para o México e desapareceu sem deixar rastros. A teoria mais popular diz que ele foi fuzilado pelos revolucionários do exército de Pancho Villa.
O local e a data de sua morte são incertos, sendo que teria falecido provavelmente Dezembro de 1913 ou 1914, no México.

Sinopse:
Esta semana fazemos diferente. Utilizaremos um trecho do primeiro conto do livro. Ler e visualizar de seguida, são as instruções. Go with the flow.

“Um homem estava de pé sobre uma ponte férrea no Norte do Alabama, olhando para as águas que corriam ligeiras seis metros abaixo. Tinha as mãos às costas, os pulsos atados por uma corda. Outra corda fora enrolada em seu pescoço. Esta última estava amarrada a uma estaca sólida acima de sua cabeça e a ponta caía-lhe até a altura dos joelhos. Algumas tábuas soltas, colocadas sobre os dormentes que suportavam os trilhos da via férrea, sustentavam os pés do homem, assim como os de seus executores — dois paramilitares do Exército Confederado, liderados por um sargento que na vida civil talvez tivesse sido um subxerife. Sobre a mesma plataforma provisória, mas a uma certa distância, estava um oficial armado, com seu uniforme de graduado. Era um capitão.”


Título: Um acontecimento na Ponte de Owl Creek (2005))
Texto: Ambroise Bierce
Tamanho: 13,5 x 21
ISBN: 972 37 0927 9
Páginas: 95
Editora: Assírio e Alvim
Preço: 5 euros
Recomendado para maiores de 12 anos (grau de dificuldade)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Livro da Semana - A Peste Escarlate

Livro da Semana - A Peste Escarlate


Livro da Semana – A Peste Escarlate de Jack London

Sobre o autor:
Jack London (São Francisco 1876 – Califórnia 1916) foi um dos mais espectaculares romancistas norte-americanos. A sua vasta obra – largamente adaptada para o cinema e para o teatro, e da qual se destacam, entre muitos outros livros, O Filho do Lobo (1900), Apelo da Selva (1903), O Lobo do Mar (1904), Martin Eden (1909) e Febre do Ouro (1912) – foi muito apreciado pela intensidade das suas narrativas, onde o lado aventureiro e individualista do homem se mistura e confronta com as ideias socialistas do autor e pela sua defesa das causas sociais.

Sinopse

Em A Peste Escarlate (1912), Jack London aproxima-se da ficção científica. A história decorre no século XXI e tem como protagonistas um velho professor universitário e três netos, todos eles reduzidos ao estado selvagem. São dos poucos sobreviventes de uma peste que dizimou a humanidade e aniquilou a civilização no ano 2013 (ainda poderá acontecer!?) Vítima das partidas dos netos, o avô conta aos três rapazes as aventuras que viveu para escapar à peste, através do mundo despovoado, de desertos e de cidades mortas, procurando aos mesmo tempo incutir-lhes os valores do conhecimentos e da sabedoria.

Um bom conto, acessível a todos, e a todas as carteiras… A Peste escarlate é a crise?

Título: A Peste Escarlate (2002)
Texto: Jack Londo
Tamanho: 19x12.5 cm
ISBN: 978 989 552 367 2
Páginas: 91 páginas
Editora: Quasi
Preço: 3.0 euros
Recomendado para maiores de 12 anos (grau de dificuldade)


domingo, 30 de dezembro de 2012

Livro da Semana - O Outono do Patriarca

Livro da Semana - O Outono do Patriarca


Sobre o autor:


Gabriel García Márquez (Aracataca, 6 de março de 1927) é um escritor, jornalista, editor, activista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século 20, foi premiado com o 1972 Prémio Internacional Neustadt de Literatura de 1982 e o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e vive actualmente no México. 



O genial escritor colombiano afirmou um dia que este livro era uma transgressão total da gramática. Com claras influências (a meu ver) de William Faulkner, Marquez assume um estilo absolutamente inovador para a época, não usando parágrafos e multiplicando os narradores, o que dá à leitura um ritmo alucinante, quase impedindo o leitor de pausar a leitura.

Trata-se de uma obra marcante na literatura sul americana: um ditador, general sem nome, algures nas Caraíbas governa mergulhado na ignorância, cultivando o obscurantismo. É, obviamente, uma caricatura, mas estão ali todos os sinais marcantes dos modernos e antigos déspotas.

Ler este livro é como caminhar numa paisagem fantástica, imaginária mas que a todo o momento nos evoca situações bem reais, sinais de um mundo louco dirigido por generais caducos e dementes; um mundo real como este em que vivemos.

Imagine-se um palácio de governo herdeiro do passado colonial algures nas Caraíbas. As vacas e as galinhas, que o general presidente alimenta e cuida como se esse fosse o mais nobre dos seus deveres, povoam o palácio, distribuindo pelos aposentos os seus sagrados dejectos e assomando mesmo às janelas e varandas. A bosta de vaca seca é usada pelo general para fazer fogueiras que aquecem o palácio.

O general presidente canonizou a mãe por decreto; só a morte da mãe lhe amoleceu o coração.
Morreu algures entre os 107 e os 232 anos (nunca se soube ao certo). Teve uma terceira dentição, calcula-se que por volta dos 150 anos de idade. Vendeu o mar aos americanos que o levaram para o Arizona.

Teve mais de 500 filhos, todos nascidos aos sete meses de gestação. A um deles nomeou-o general ao nascer.
A mãe afirmou um dia sobre ele: “se soubesse que o meu filho vinha a ser Presidente da República, tinha-o mandado à escola.”

O general presidente não pode ser coração mole. Ele tem de se manter acima de todos os mortais, seguindo à risca o conselho que alguém lhe dera em jovem: “o coração é o terceiro colhão”.
Embora usufrua de centenas de concubinas, que possui sempre sem tirar as botas nem a roupa, só uma paixão o dominou: Manuela Sanchez.

Nunca precisou de ministros para a governação, com excepção do Ministro da Saúde, seu médico pessoal. Mas nem mesmo este alguma vez o conseguiu curar de um terrível e descomunal testículo herniado. Mandou assar o Ministro da Defesa, seu homem de confiança nos primeiros tempos de governação, servindo-o com um raminho de salsa na boca num jantar de cerimónia.

Em suma: um livro cheio de humor, um marco histórico na literatura mundial.

Fonte: http://aminhaestante.blogspot.pt 

Título: O Outono do Patriarca (2002)
Texto: Gabriel Garcia Márquez
Tamanho: 21x12,5
ISBN: 84 8130 505 7
Páginas: 220
Editora: Público – Mil Folhas
Preço: 4.50 euros
Recomendado para maiores de 16 anos (grau de dificuldade)



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Livro da Semana - Ana Karenina

Livro da Semana - Ana Karenina


Esta semana apresentamos Ana Karenina, de Leão Tolstoi. O romance grandioso no tamanho e na história, está prestes a ser diluído nos cinemas um pouco por todo o lado. Mas fica sempre a questão em todos, o que é melhor, o filme ou o livro? Aqui não fazemos julgamentos precipitados, é preciso ver a coisa de vários ângulos. Nem sempre é fácil escolher. Quando uns escolhem a matéria, outros preferem a leveza. Na dúvida levamos os dois. O que há que saber de mais importante sobre o livro?  Se querem que seja pragmático, quanto a valores, o livro na Vilateca custa 12.50 euros, enquanto que um livro novo, comprada noutra livraria ou na internet, custará até perto de 20 euros. Depois, a leitura, depende da vontade. Com o frio na rua, e uns dias de férias, será um bom passatempo. Para terminar, uma última informação, o livro foi traduzido por José Saramago. 


Sinopse:


O magnífico romance do grande escritor Leon Tolstoi tem por cenário a Rússia dos czares onde a mulher é inserida numa sociedade hipócrita, decadente e dominada por grandes senhores de terras.

Até conhecer o homem que mudaria radicalmente o seu modo de agir, Ana Karenina partilha com o marido uma família aparentemente sólida, e nem sequer desconfia que a vida não se resume apenas às obrigações impostas pelo marido que a exibe nos salões como objecto precioso.

Tudo acontece quando se desloca i a Moscovo com o intuito de tentar salvar o casamento de seu irmão. Consegue, entretanto apaixona-se por um aristocrata militar, por ele abandona o marido e o filho pequeno. Dominada pela intensa paixão esquece as obrigações e viaja com o seu amante para o exterior; o remorso, a saudade do filho devagar destroem a felicidade que ela imaginava encontrar. Devagar a paixão vai se diluindo, Ana percebe que é impossível voltar atrás, entra em desespero, deixa o causador de sua desgraça e atira-se para debaixo de um trem.

O livro prossegue com outro personagem, um jovem proprietário de terras rurais que se debate entre conflitos de classe com os lavradores e problemas existenciais, que passam a segundo plano quando ele se apaixona por uma jovem simpática e cheia de vida, que se torna a sua esposa. Apesar de haver encontrado a felicidade ao lado de sua querida Kitty, Lievin mergulha de novo nos problemas existenciais, até conhecer um velho mujique que ensina-o a procurar confiança e Fé em Deus para cuidar da saúde de sua amada esposa. Lievin descobre as respostas para os seus questionamentos, torna-se confiante e vai para os braços de Kitty que espera um filho seu.

Título: Ana Karenina (2004)
Texto: Leão Tolstoi
Tamanho: 22x15
ISBN: 84 9789 634 3
Páginas: 704
Editora: Mediasat Group SA
Preço: 12.50 euros
Recomendado para maiores de 16 anos (grau de dificuldade)



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Livro da Semana - Hoje é Natal

Livro da Semana - Hoje é Natal


Pelo Natal existem centenas de opções de livros temáticos. Aparecem centenas de sugestões. Ás vezes não sabemos o que escolher. Entrar este ano na quadra festiva revela-se difícil, ao espírito e para as economias. Este semana apresentamos um livro usado.  Fazer compras com consciência é cada vez mais um imperativo. 
O consumo em qualquer tempo deve ser responsável. O espírito tem que ser intenso.

Sinopse:

Neste conto, escrito por José Vaz, e num livro que já chegou aos 12 anos, incrivelmente em bom estado... somos apresentados a uma vela. porquê? "Quando o avô le disse que dentro do rolo de papel azul marinho prateado estva o Espírito do Natal, o Mário, seu neto, nunca mais o largou. Antes da ceia, o avô mandou-o buscar o rolo e, para desilusão do Mário, o Espírito do Natal apresentou-se son a forma de simples vela de cera branca. Depois de a acender, o avô Fernando, com as lágrimas nos olhos, desfiou as suas memórias e disse que na chama daquela vela via todas as pessoas de quem gostou e todas as recordações da sua longa vida. depois do avô contar o Natal mais lindo que teve, o Mário sentiu que o Espírito do Natal o tinha visitado naquela noite.

Título: Hoje é Natal (2000)
Texto: José Vaz
Tamanho: 20x27,5 cm
ISBN: 9728473699
Páginas: 29
Editora: Gailivro
Preço: 5.50 euros (usado)
Recomendado para maiores de 8 anos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Livro da Semana - Os Cus de Judas

Livro da Semana - Os Cus de Judas


Sinopse:

"Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes

Seis anos após o términus da guerra colonial, é lançado, em 1979, Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes, que conta a trajectória de um soldado português que servira o exército colonial em Angola e, a partir desse contacto com a situação em África, vê sua vida, seus valores sendo destruídos.

Segundo o autor, em entrevista publicada em Lisboa em Abril de 1994, o livro é parte de uma trilogia que inclui Memória de Elefante (anterior) e, Conhecimento do Inferno (posterior) a obra em questão. O retracto da guerra colonial é a marca dessa etapa ou ciclo de sua vida, como ele mesmo afirma.

"A dolorosa aprendizagem da agonia" - assim classifica Lobo Antunes a guerra de Angola; assim se resume o processo a que é submetido o leitor na descoberta daquele que é o segundo livro do autor.

Encontramo-nos perante um testemunho. Ao evoluirmos gradualmente na sua leitura vamos desmontando a guerra do ultramar, sendo guiados através dos 27 meses que o narrador se encontrou ao serviço da pátria portuguesa.

Partindo do relato do narrador, das experiências a que foi sujeito e da forma como as interpreta e com elas lida, traça-se um percurso que desemboca inevitavelmente na conclusão/admissão do gigantesco, inacreditável absurdo da guerra.

Delineia-se um retracto demasiado bruto e verdadeiro para se poder falar de uma caricatura. A seriedade e crueldade da narrativa fazem surgir o livro mais como que uma denúncia. Ou antes: é deste modo apresentada uma visão da realidade, uma posição sobre os fatos, uma voz silenciada que entra em erupção e vem contar a sua versão. Numa narrativa não-linear e fragmentada, Lobo Antunes revela as inquietações existenciais de um ser humano, na indelével experiência de uma guerra, que se misturam às memórias de infância e juventude na Lisboa salazarista.

O autor utiliza, na maior parte do romance, do fluxo de consciência e da associação de ideias, para construir a história e o perfil de seu narrador-protagonista, um personagem que, a partir de "uma dolorosa aprendizagem da agonia", vê sua vida e seus valores estilhaçados pela melancolia. O que lhe resta são fragmentos de memória — a criança que visitava com os pais o jardim zoológico aos domingos, o jovem que assiste impassível a seu futuro sendo traçado pela autoridade inquestionável de uma família salazarista, o adulto apático e frustrado diante da violência que lhe retira as rédeas e o sentido da vida.

Decadência, putrefacção, pestilência, morte. Adicionando canalhice, violência e absurdo poder-se-ia reunir as palavras-chave basilares de tal exposição.

O texto não se enquadra no género de narrativa de viagem tal como é concebido pela literatura moderna, entretanto, é possível a leitura de um discurso de viagem apanhado de viés, ou seja; a desconstrução ou a ante-viagem (se é que podemos utilizar esses termos), visto sob a óptica de uma simbologia actual."

Título: Os Cus de Judas (1984)
Texto: António Lobo Antunes
Tamanho: 12,5x20 cm
Depósito Legal: 4280/84
Páginas: 211
Editora: Círculo de Leitores
Preço: 10.0 euros