segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Livro da Semana - Os Cus de Judas

Livro da Semana - Os Cus de Judas


Sinopse:

"Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes

Seis anos após o términus da guerra colonial, é lançado, em 1979, Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes, que conta a trajectória de um soldado português que servira o exército colonial em Angola e, a partir desse contacto com a situação em África, vê sua vida, seus valores sendo destruídos.

Segundo o autor, em entrevista publicada em Lisboa em Abril de 1994, o livro é parte de uma trilogia que inclui Memória de Elefante (anterior) e, Conhecimento do Inferno (posterior) a obra em questão. O retracto da guerra colonial é a marca dessa etapa ou ciclo de sua vida, como ele mesmo afirma.

"A dolorosa aprendizagem da agonia" - assim classifica Lobo Antunes a guerra de Angola; assim se resume o processo a que é submetido o leitor na descoberta daquele que é o segundo livro do autor.

Encontramo-nos perante um testemunho. Ao evoluirmos gradualmente na sua leitura vamos desmontando a guerra do ultramar, sendo guiados através dos 27 meses que o narrador se encontrou ao serviço da pátria portuguesa.

Partindo do relato do narrador, das experiências a que foi sujeito e da forma como as interpreta e com elas lida, traça-se um percurso que desemboca inevitavelmente na conclusão/admissão do gigantesco, inacreditável absurdo da guerra.

Delineia-se um retracto demasiado bruto e verdadeiro para se poder falar de uma caricatura. A seriedade e crueldade da narrativa fazem surgir o livro mais como que uma denúncia. Ou antes: é deste modo apresentada uma visão da realidade, uma posição sobre os fatos, uma voz silenciada que entra em erupção e vem contar a sua versão. Numa narrativa não-linear e fragmentada, Lobo Antunes revela as inquietações existenciais de um ser humano, na indelével experiência de uma guerra, que se misturam às memórias de infância e juventude na Lisboa salazarista.

O autor utiliza, na maior parte do romance, do fluxo de consciência e da associação de ideias, para construir a história e o perfil de seu narrador-protagonista, um personagem que, a partir de "uma dolorosa aprendizagem da agonia", vê sua vida e seus valores estilhaçados pela melancolia. O que lhe resta são fragmentos de memória — a criança que visitava com os pais o jardim zoológico aos domingos, o jovem que assiste impassível a seu futuro sendo traçado pela autoridade inquestionável de uma família salazarista, o adulto apático e frustrado diante da violência que lhe retira as rédeas e o sentido da vida.

Decadência, putrefacção, pestilência, morte. Adicionando canalhice, violência e absurdo poder-se-ia reunir as palavras-chave basilares de tal exposição.

O texto não se enquadra no género de narrativa de viagem tal como é concebido pela literatura moderna, entretanto, é possível a leitura de um discurso de viagem apanhado de viés, ou seja; a desconstrução ou a ante-viagem (se é que podemos utilizar esses termos), visto sob a óptica de uma simbologia actual."

Título: Os Cus de Judas (1984)
Texto: António Lobo Antunes
Tamanho: 12,5x20 cm
Depósito Legal: 4280/84
Páginas: 211
Editora: Círculo de Leitores
Preço: 10.0 euros








sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Programação Mensal - Dezembro


Programação Mensal Dezembro

8 de Dezembro - Feira de Velharias e Antiguidades
Vilateca Livraria Galeria (Livros Usados)

14 de Dezembro - ABC Da Cultura 
Apresentação do Novo Espaço da Vilateca na ABC Da Cultura
21.00.22.00 horas
Convite pelo facebook

15 e 16 de Dezembro - Mercadinho da Vila
Mercado Municipal de Vila Real
10.00.20.00 horas
Entrada Livre

22 de Dezembro - ABC Da Cultura
II Flea Market +
Hora do Conto (para crianças)
16.00-17.00 horas
Entrada Livre

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Livro da Semana - O Mistério das Sete Palmeiras

Livro da Semana - O Mistério das Sete Palmeiras


Sinopse:
Phillip Hassler é um bem-sucedido industrial, fabricante de têxteis da Renânia. Quando a mulher morre, ele se entrega desesperadamente à vida agitada do jet set, sem contudo conseguir esquecer a sua endeusada Franziska! Porém uma imensa frustração assolou-o e um dia Hassler convence-se do vazio e insatisfação de sua vida e realiza um grande sonho da juventude ao comprar uma ilha desabitada no Pacífico, um pequeno ilhéu nas Galápagos. Na solidão, pretende encontrar-se a si próprio, iniciando tudo de novo, como uma tábua rasa. Por isso, suas instruções severas são as de que ninguém deve perturbá-lo enquanto ele não o manifestar através do rádio. Passam-se apenas dois meses e a tranquilidade paradisíaca é subitamente abalada. Três homens chegaram à ilha num elegante iate branco imediatamente começam a atirar contra ele, para o seu profundo espanto. Dois dos homens são mortos por Phil ao se defender, mas o terceiro consegue escapar. Semanas mais tarde, encalha na ilha um bote salva-vidas com uma linda e jovem mulher. Chama-se Evelyn Ball e afirma que seu iate havia naufragado em uma tempestade. Enquanto está conversando com Phil, tropeça no aparelho de rádio, destruindo-o por completo. O solitário Phil acredita que agora está completamente isolado do mundo exterior com essa mulher... mas aquele foi o ponto exacto de sua vida em que se viu envolvido nas malhas mortais de uma trama sinistra que envolve o roubo de um tesouro inca. A parte a trama envolvendo o tesouro, este romance é na densidade psicológica das personagens, com destaque para Hassler. 

Sobre o autor:
Heinz Konsalik (1921-1999) nascido em Colónia, por vontade paterna, realizou estudos de medicina, enquanto em segredo, frequentava cursos de teatro e jornalismo. Estudante de literatura alemã e arte dramática, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial foi obrigado a abandonar a Universidade, tendo sido incorporado no exército alemão e enviado para a frente russa, onde foi gravemente ferido. Depois da guerra iniciou uma carreira de escritor e dramaturgo, tendo, entretanto, ocupado o cargo de redactor-chefe de um jornal de Colónia.
Foi assessor literário numa editora especializada na publicação de obras de teatro. Na maturidade, depois da forte experiência da guerra, editou os primeiros romances obtendo o seu primeiro sucesso com O Médico de Estalingrado. Torna-se então um dos mais conhecidos e populares autores alemães do pós-guerra. Tem quase duzentos romances editados e histórias traduzidas para 42 línguas. Já vendeu cerca de 100 milhões de cópias. Mas foram os seus romances, amargos e cruéis, onde o tema predominante é a guerra e a medicina, que lhe deram a notoriedade que alcançou, quer na Alemanha, quer em muitos outros países.

Para além deste romance, encontra-se na Vilateca Livraria Galeria, o romance Noites Quentes na Taiga, obra escrita sobre o mundo da espionagem durante a guerra fria.

Título: O Mistério das Sete Palmeiras (1988)
Texto: Konsalik
Tamanho: 12,5x20 cm
Depósito Legal: 20369/88
Páginas: 232
Editora: Círculo de Leitores
Preço: 7.50 euros

domingo, 25 de novembro de 2012

Livro da Semana - A Grande Invasão

Livro da Semana - A Grande Invasão

Sinopse:

Uma grande invasão? O livro da semana, que vos apresentamos tem como ingrediente principal a ironia.

Será arriscado transportar essa contorção secreta dos lábios que é a ironia às crianças. O melhor é deixarem-se conduzir pela história. O livro começa devagarinho, com graduação científica. " Quando chegaram à Terra eram apenas umas centenas, inofensivos e mais ou menos vagarosos. Depois, aos poucos, foram chegando mais e mais... Quase sem darmos por isso, ocuparam as nossas ruas, as nossas praças e até os passeios por onde caminhamos. Viraram as nossas cidades de pernas para o ar e fizeram os mesmo às nossas vidas. É que estes invasores são tão simpáticos e confortáveis que já quase não conseguimos viver sem eles..." Quem são estes invadores? O automóvel.

Sem moralizar, apreende-se o papel que tem o automóvel na nossas vidas, e os embaraços que causa a sua existência, deveras presente na vida de muitas pessoas. É preciso aliviar a pressão do automóvel.

Assim o livro A Grande Invasão, escrito por Isabel Minhós Martins e ilustrado por Bernardo Carvalho, sem entrar em moralizações "é um verdadeiro “amigo do ambiente”, como promove estilos de vida saudáveis entre leitores de todas as idades."

É uma obra recomendada pela Gulbenkina/ Casa da Leitura, e recebeu o Prémio Ler/Booktailors, para o melhor projecto gráfio infanto-juvenil. Segundo Rita Pimenta, no suplemento Pública do jornal Público de 16.12.2007, a dinâmica da ilustração, o “lettering” escolhido e a forma como texto se distribui e corre na página fazem deste livro mais um exemplo da criatividade do Planeta Tangerina.

Título: A Grande Invasão
Texto: Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho
Tamanho: 195 x 220 mm
ISBN: 9789729941092
Páginas:32 páginas
Editora: Planeta Tangerina
PVP: 11.90
Idade recomendada + de 7 anos

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Textualidades Vivas


Bruno Miguel Resende discursa à TVI

 Textualidades Vivas

Depois de um interregno que devia fazer corar, voltamos a apresentar poetas do nosso tempo. Esta semana, damos relevo a Bruno Miguel Resende. Poeta intenso na obra como na existência. A foto pode iludir, mas Bruno Miguel Resende já não reside em Vila Real. Desaguou daqui. Esquivem os livros de autógrafos.

Biografia:

Chamado Bruno Miguel Resende nasce a 1 de Março de 1981, segundo o falso calendário cristão, no Porto, Portugal, Universo. Forma-se e informa-se continuamente sobre si e tudo o resto. Autor dos livros Subterfúgios, Khaos Poeticum, Esquilia Divinorum e Descravidades. É escritor, actor, desenhador gráfico, dramaturgo. Entre outras polivalências que surgem. O seu mais recente arroubo literário chama-se Falosofia. Não é porém desse livro o poema que se segue. Bruno Miguel Resende é ainda co fundador em 2010 dos Spabilados - Teatro Hedonista juntamente com Fátima Vale. Virtualiza-se em www.bmresende.tk e em www.spabilados.net. Falosofia pode ser encontrado ou encontrada à venda na Vilateca Livraria Galeria. 

a internidade equinocial

o areal distendia-se no reflexo dos pés
deixava marcas trilhadas de esquecimento
enquanto reflectia a noite no estômago do mar
por perto as estrelas pendiam a espuma

os ventos sulares eriçavam a epifania da água
quentes jorravam no estalo da equidistância
pela humidade abrasiva que transbordava para dentro
desenhando o limite das algas nas pontas dos pés

o rugido era vagaroso como a vaga que ronrona
estendia-se perante a pulverização da roupa
a nudez era muda tocada pelo aguaceiro da chama
constante como tudo o resto que o não era

o corpo ígneo correu para o líquido amniótico
encontrou a fetalidade da memória que não tinha
lembrou-se do que nunca percebera
porque nascia em dança salgada erotizada de lua

existiam gritos que não se ouviam no choque das ondas
e maternidades que não se dão quando a onda se entrega
liquefacções dos átomos que ainda não se repulsaram
estão na centelha da eternidade eternamente perdida

a noite afaga o corpo húmido na internidade de um cosmos vazo
o caos sereno faz detonar gestos arrebatados
vibram pela epiderme fecunda de quem não existe
o prazer culmina no esperma misturado de espuma salina 

o rumo inverso demonstra que o trilho não existe
que a erosão revolve pegadas para o caos
liso como o veludo celeste pintalgado de verdes que cintilam
o obscuro é alquimia da noite em dia de doses iguais

o corpo revolve para a memória e descobre que não existe
tudo o que estava permanece na mutação
mas o corpo soube que quando esteve foi deus
até que a areia lhe saísse dos pés para o esquecer

sentiste o corpo regressar ao útero mãe?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Livro da Semana - Do Amor

Livro da Semana - Do Amor


Sinopse:

Do Amor, poderá ser apresentado sem reservas, como o mais belo ensaio sobre o tema do Amor. Ainda hoje, mais de um século e meio sobre a sua feitura, os seus trechos admiráveis, revelandouma grande delicadeza de espírito, um refinamento de sensibilidade e, aobretudo, os dotes raros de um observador sagaz e subtil, nada perderam em beleza e actualidade. Henry Beyle, que para a posteridade ficou com o nome de Stendhal, não escreveu para os seus coevos. O público da primeira metade so século XIX quase desconheceu esse mestre incomparável da literatura. Só mais tarde livros como O Vermelho e o Negro, A Cartuxa de Parma e Do Amor, vieram a ser reconhecidos e lidos. Do Amor é uma obra de finos linguagem, de estranhos e delicados cambiantes. Para lá de certas particularidedades de costumes que morreram com a época que os criou, fica a essência do olhar atento de um homem que tão bem soube conhecer e amar os outros Homens. 


Sobre o Autor:

Henri-Marie Beyle, mais conhecido como Stendhal (Grenoble, 23 de janeiro de 1783 - Paris, 23 de março de 1842) foi um escritor francês reputado pela fineza na análise dos sentimentos de seus personagens e por seu estilo deliberadamente seco.
Dandy afamado, frequentava os salões de maneira assídua, enquanto sobrevivia com os rendimentos obtidos com suas colaborações em algumas revistas literárias inglesas. Em 1822 publicou Sobre o amor, ensaio baseado em boa parte em suas próprias experiências e no que expressava idéias bastante avançadas; destaca sua teoria da cristalização, processo pelo que o espírito, adaptando a realidade a seus desejos, cobre de perfeições o objeto do desejo.
Estabeleceu seu renome de escritor graças à Vida de Rossini e as duas partes de seu Racine e Shakespeare, autêntico manifesto do romantismo. Depois de uma relação sentimental com a atriz Clémentine Curial, que durou até 1826, empreendeu novas viagens ao Reino Unido e Itália e redigiu sua primeira novela, Armance. Em 1828, sem dinheiro nem sucesso literário, solicitou um posto na Biblioteca Real, que não lhe foi concedido; afundado numa péssima situação econômica, a morte do conde Daru, ao ano seguinte, afetou-lhe particularmente. Superou este período difícil graças aos cargos de cônsul que obteve primeiro em Trieste e mais tarde em Civitavecchia, enquanto se entregava sem reservas à literatura.
Em 1830 aparece sua primeira obra-prima: O vermelho e o Negro, uma crônica analítica da sociedade francesa na época da Restauração, na qual Stendhal representou as ambições de sua época e as contradições da emergente sociedade de classes, destacando sobretudo a análise psicológica dos personagens e o estilo direto e objetivo da narração. Em 1839 publicou A Cartuxa de Parma, muito mais novelesca que sua obra anterior, que escreveu em apenas dois meses e que por sua espontaneidade constitui uma confissão poética extraordinariamente sincera, ainda que só recebeu o elogio de Honoré de Balzac.
Ambas são novelas de aprendizagem, e compartilham de rasgos românticos e realistas; nelas aparece um novo tipo de herói, tipicamente moderno, caracterizado por seu isolamento da sociedade e seu confronto com suas convenções e ideais, no que muito possivelmente se reflete em parte a personalidade do próprio Stendhal.
Outra importante obra de Stendhal é Napoleão, onde o escritor narra momentos importantes da vida do grande general Bonaparte. Como o próprio Stendhal descreve no início deste livro, havia na época (1837) uma carência de registros referentes ao período da carreira militar de Napoleão, sobretudo, sua atuação nas várias batalhas na Itália. Dessa forma, e também porque Stendhal era um admirador incondicional do corso, a obra prioriza a emergência de Bonaparte no cenário militar, entre os anos de 1796 e 1797 nas batalhas italianas. Declarou, certa vez que não considerava morrer na rua algo indigno e, curiosamente, faleceu de um ataque de apoplexia, na rua, sem concluir sua última obra, Lamiel, que foi publicada muito depois de sua morte.

O reconhecimento da obra de Stendhal, como ele mesmo previu, só ocorreu cerca de cinquenta anos após sua morte, ocorrida em 1842 na cidade de Paris.



Título: Do Amor (1962)
Texto: Stendhal 
Tamanho:19,5x13
ISBN: não existe
Páginas:407 páginas
Editora: Editorial Presença
PVP: 10.00