domingo, 6 de janeiro de 2013

Livro da Semana - A Peste Escarlate

Livro da Semana - A Peste Escarlate


Livro da Semana – A Peste Escarlate de Jack London

Sobre o autor:
Jack London (São Francisco 1876 – Califórnia 1916) foi um dos mais espectaculares romancistas norte-americanos. A sua vasta obra – largamente adaptada para o cinema e para o teatro, e da qual se destacam, entre muitos outros livros, O Filho do Lobo (1900), Apelo da Selva (1903), O Lobo do Mar (1904), Martin Eden (1909) e Febre do Ouro (1912) – foi muito apreciado pela intensidade das suas narrativas, onde o lado aventureiro e individualista do homem se mistura e confronta com as ideias socialistas do autor e pela sua defesa das causas sociais.

Sinopse

Em A Peste Escarlate (1912), Jack London aproxima-se da ficção científica. A história decorre no século XXI e tem como protagonistas um velho professor universitário e três netos, todos eles reduzidos ao estado selvagem. São dos poucos sobreviventes de uma peste que dizimou a humanidade e aniquilou a civilização no ano 2013 (ainda poderá acontecer!?) Vítima das partidas dos netos, o avô conta aos três rapazes as aventuras que viveu para escapar à peste, através do mundo despovoado, de desertos e de cidades mortas, procurando aos mesmo tempo incutir-lhes os valores do conhecimentos e da sabedoria.

Um bom conto, acessível a todos, e a todas as carteiras… A Peste escarlate é a crise?

Título: A Peste Escarlate (2002)
Texto: Jack Londo
Tamanho: 19x12.5 cm
ISBN: 978 989 552 367 2
Páginas: 91 páginas
Editora: Quasi
Preço: 3.0 euros
Recomendado para maiores de 12 anos (grau de dificuldade)


sábado, 5 de janeiro de 2013

International Poetry Meeting

International Poetry Meeting


A Vilateca Livraria Galeria, e a ABC da Cultura, vão promover todas as segundas-feiras, às 22.30 horas, na loja da Vilateca, uma sessão invulgar de transfiguração cultural, partilha cultural. Vila Real é uma cidade universitária que recebe alunos do programa Erasmus, mas também de outro programas, não só alunos, mas também professores e investigadores. 

Esperemos, e queremos ter todos aqueles que vivendo em Vila Real, e que falem uma língua estrangeira, neste espaço de multiculturalidade. No entanto todos os falantes da língua de Camões também estão convidados, não importa a sua nacionalidade.

Pode e devem trazer a cultura, língua, a literatura, a ciência, os usos e costumes, a poesia, os sons, a linguagem. Lançamos aqui o repto, se conhecerem amigos que sejam de outros países e continentes, apresenta-nos. Somos os anfitriões, mas também queremos que tu sejam um anfitrião. Vê, e trás os amigos. A entrada é livre.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Textualidades Vivas

Textualidades Vivas

Poeta, dos bons, e poeta que escreve na mesa de café, é considerado um dos últimos poetas românticos. No final deste texto vão ficar a perceber porquê. E se calhar ficaram desapontados com o romantismo, por passar a conhecer o lado desconhecido do romantismo.

Na sociedade moderna existem demasiadas coisas com que nos preocupemos, demasiada informação para assimilarmos e bastante pouco tempo livre para desfrutarmos. O poeta portuense António Pedro Ribeiro parece não querer acreditar nisso e poderá vir a ser o último poeta romântico português.

Edita com regularidade por editoras que passam despercebidas ao público em geral. António Pedro Ribeiro, é um poeta, que segue a máxima de Rui Reininho, é preciso subir ao povo. O poeta não se considera um autor exclusivamente político. Até porque, na senda de Breton, a política não existe separada da vida. O amor, o sexo, a liberdade e a revolução são todas uma coisa só que as máquinas castradoras do sistema sempre tentaram dividir. Mas, ao fim e ao cabo, felizmente nunca o conseguiram no que respeita a alguns homens e mulheres. Nietzsche fala no espírito livre e em Dionisos e eu acredito. Diz.

Afirma que já fez muitos disparates. Diz que assim evitar apodrecer de tédio ou apodrecido de tédio ou de depressão. Mesmo quando estou a brincar ou com os copos, penso que as pessoas inteligentes entendem que já escolhi o meu lado da barricada. Há quem me ame e quem me odeie. 

Sente-se um “poeta maldito”, como o eram Rimbaud, Baudelaire ou Sade? Afirma.
Mas não se coloca ao nível de Rimbaud, Baudelaire ou Sade. No entanto, tem a certeza que é deles, que vem dessa linha de malditos onde incluo também Blake, Lautreamont, Jim Morrison, Nietzsche, Henry Miller, Bob Dylan, Allen Gingsberg, Péret e tantos outros. Retorque que não nasceu para os empregos das 9 às 5 – dou-me mal neles, a rotina mata-me. Léo Ferré disse que o artista aprende a profissão no inferno. Eu vou lá muitas vezes e gosto, porque o céu, muitas vezes, é uma seca, com todos aos beijinhos, aos abracinhos, aos boatos, aos mexericos, às panelinhas e eu detesto. Serei um poeta maldito, mas isso não significa que não ame a Humanidade, as mulheres bonitas, o sol, as crianças. Esta merda que nos querem impingir é que eu não aceito. De qualquer modo, não sou, não quero ser, o versejador da corte.
Eis o busto de António Pedro Ribeiro, em carne e osso; e em poesia. Para terminar deixo-vos um poema presente o livro Saloon. Que podem conhecer ou adquirir na Vilateca Livraria Galeria.
Madalena

Para a Paula

Deste-me a morada
A meio da tempestade
Vieste por entre os duendes ao lugar a trip

Imaculada
Levaste-me do túmulo
E levaste-me pela mão de Deus
Para fora dos bares e dos artifícios do demo
Das cassetes pirateadas das notícias do templo
Beijaste-me a outra face e amaste-me.





segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Mensagem de Ano Novo 2013


Uma grande frase a ser usada com sabedoria no próximo ano de 2013. E Fernando Pessoa, como é que reagia à passagem do cada ano? Escolheria um dos heterónimos de véspera!?  Isso só podemos especular, e é passatempo que não deve oprimir se sentirmos atracção.

Sem literatura a nossa vida tornar-se-ia alheia às surpresas de cada palavra, do conjunto de frases que autores como Pessoa juntaram, para despertar em nós locais secretos. Quantos mundos a literatura torna possíveis. Os desejos para o próximo ano, é que encontrem esses mundos na literatura, e que tenham uma vida agradável. 

A Vilateca Livraria Galeria

domingo, 30 de dezembro de 2012

Livro da Semana - O Outono do Patriarca

Livro da Semana - O Outono do Patriarca


Sobre o autor:


Gabriel García Márquez (Aracataca, 6 de março de 1927) é um escritor, jornalista, editor, activista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século 20, foi premiado com o 1972 Prémio Internacional Neustadt de Literatura de 1982 e o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e vive actualmente no México. 



O genial escritor colombiano afirmou um dia que este livro era uma transgressão total da gramática. Com claras influências (a meu ver) de William Faulkner, Marquez assume um estilo absolutamente inovador para a época, não usando parágrafos e multiplicando os narradores, o que dá à leitura um ritmo alucinante, quase impedindo o leitor de pausar a leitura.

Trata-se de uma obra marcante na literatura sul americana: um ditador, general sem nome, algures nas Caraíbas governa mergulhado na ignorância, cultivando o obscurantismo. É, obviamente, uma caricatura, mas estão ali todos os sinais marcantes dos modernos e antigos déspotas.

Ler este livro é como caminhar numa paisagem fantástica, imaginária mas que a todo o momento nos evoca situações bem reais, sinais de um mundo louco dirigido por generais caducos e dementes; um mundo real como este em que vivemos.

Imagine-se um palácio de governo herdeiro do passado colonial algures nas Caraíbas. As vacas e as galinhas, que o general presidente alimenta e cuida como se esse fosse o mais nobre dos seus deveres, povoam o palácio, distribuindo pelos aposentos os seus sagrados dejectos e assomando mesmo às janelas e varandas. A bosta de vaca seca é usada pelo general para fazer fogueiras que aquecem o palácio.

O general presidente canonizou a mãe por decreto; só a morte da mãe lhe amoleceu o coração.
Morreu algures entre os 107 e os 232 anos (nunca se soube ao certo). Teve uma terceira dentição, calcula-se que por volta dos 150 anos de idade. Vendeu o mar aos americanos que o levaram para o Arizona.

Teve mais de 500 filhos, todos nascidos aos sete meses de gestação. A um deles nomeou-o general ao nascer.
A mãe afirmou um dia sobre ele: “se soubesse que o meu filho vinha a ser Presidente da República, tinha-o mandado à escola.”

O general presidente não pode ser coração mole. Ele tem de se manter acima de todos os mortais, seguindo à risca o conselho que alguém lhe dera em jovem: “o coração é o terceiro colhão”.
Embora usufrua de centenas de concubinas, que possui sempre sem tirar as botas nem a roupa, só uma paixão o dominou: Manuela Sanchez.

Nunca precisou de ministros para a governação, com excepção do Ministro da Saúde, seu médico pessoal. Mas nem mesmo este alguma vez o conseguiu curar de um terrível e descomunal testículo herniado. Mandou assar o Ministro da Defesa, seu homem de confiança nos primeiros tempos de governação, servindo-o com um raminho de salsa na boca num jantar de cerimónia.

Em suma: um livro cheio de humor, um marco histórico na literatura mundial.

Fonte: http://aminhaestante.blogspot.pt 

Título: O Outono do Patriarca (2002)
Texto: Gabriel Garcia Márquez
Tamanho: 21x12,5
ISBN: 84 8130 505 7
Páginas: 220
Editora: Público – Mil Folhas
Preço: 4.50 euros
Recomendado para maiores de 16 anos (grau de dificuldade)



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Textualidades Vivas - Carlos Vinagre

Textualidades Vivas - Carlos Vinagre


Voltamos a falar de poetas. É preciso conhecer estas criaturas. São fofinhos. São agrestes. Um poeta quando escreve, tem um acto unipessoal, a empresa é a palavra, mas nunca está em défice. Esta semana, após uma ausência de algumas semanas, divulgamos um poema de Carlos Vinagre, podem adquirir o livro Ranhura, último acto poético materializado no prelo... na Vilateca Livraria Galeria. E ainda oferecemos um marcador de página. Era escusado. Voltamos a falar de poetas. Falar de um poeta tão novo em Vila Real, deve ser arriscado. E é mesmo. 

Biografia:


Carlos Vinagre: nasceu em 1988. Actualmente reside em Espinho. É membro fundador, dirigente e um dos animadores da Associação Cultural Extrapolar. Colabora também em outras colectividades como o Grupo de Intervenção Urbano. Publicou o seu primeiro livro em 2009, Moluscos de Mântua, e participou com um texto na obra Munditações, livro que reúne fotografias de Carlos Silva e textos de vários autores da península ibérica. Membro da Incomunidade, tem co-organizado e contribuído em vários filo-cafés. Publicou recentemente o livro Ranhura.


O poema que se segue, não pertence ao livro Ranhura. Fomos encontra-lo ainda com frescura no blogue do poeta, http://carlosvinagre.blogspot.pt 

Silêncio do Húmus

que doces esvaziam a pele até à penúria?

quero a penumbra do tempo, a língua que não resiste à intempérie,
a interferência da chuva pelo canal da  vida

como se a vida não acontecesse pela floresta 
e a sereia não se escondesse na vastidão das ondas
e as rosas não tapassem o orvalho, boca da cidade, 
anonimanto esbracejado,
pétala de sol, 

a noite curva-se pela melancolia das igrejas 
uma onomatopeia fende na agonia as casas

é o algodão doce da noite
aquele que embala na humidade o sonho
e derrete pelo incêndio o crespúsculo
ante a bruma pulmonar dos meus ossos
o esconderijo da flor do mar
a pele das árvores 

descasco o colestrol do meu sangue
a bruma com a língua
a penumbra dos doces
e descubro a areia coberta por lençóis de espuma
feitos com rosas 
e sementes 

como se a vida se resumisse a uma construção gramatical
alumiada pela opacidade da maresia
um campo fere-se nas mãos diante da porta da possibilidade
e o sangue transmuta-se em pétalas
pelo felino irreal
em ondas
em raios
em espamos de carvão
e doces de inverno

assim permaneço absorto no silêncio do húmus